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Biografia


Vida e obra de Nicolau Nasoni

 

Nasceu a 2 de Junho de 1661 às 2 h da manhã em Sam Eiotani Valdorno di Sopra na Toscai, na zona de Florença.

Era filho de Giuseppe Francesco Nasoni e de Margaretta, filha de Nicodó Rossi; seu pai trabalhava na casa Davanzatb, talvez como administrador de bens. Como consequência Nasoni ia manter futuras relações com fidalgos do Porto vários dos quais eram padrinhos da sua numerosa prole. É ainda de relatar que ele era o mais velho de nove irmãos.

Viveu em Siena depois mudou-se para Roma e mais tarde para Malta. Em 1724 assinou e datou um dos tectos que pintou, no palácio de Valeta, obra esta dirigida ao frei D. António Manuel de Vilhena, Grão Mestre da ordem de Malta; e deu assim os primeiros passos na arquitectura.

Não se sabe ao certo quando Nasoni veio para o Porto, sabemos apenas que em 1725 ainda se encontrava em Itália pois tem um dos seus muitos tectos pintados em Valeta com a data de 1725. Podemos encontrar esta pintura no palácio dos grão-mestres. Em Novembro do mesmo ano iniciou as pinturas da Sé do Porto, podemos por isso concluir que a viagem foi efectuada no Verão de 1725.

Só de 1729 é que apareceu um documento relativo à sua moradia no Porto, quando casou em 31 de Julho com a sua conterrânea a Napolitana Isabel Castriotto Rixaral.

Do seu casamento com Isabel Rixaral nasceu um filho chamado José no dia 8 de Junho de 1730, cujo o padrinho era membro de uma família nobre. Essa família nobre empregou Nasoni numa das suas muitas obras portuenses - a casa e jardim da Quinta da Prelada.

Mas o seu casamento demorou pouco pois a sua esposa faleceu em 25 de Junho do respectivo ano, pensa-se que devido a complicações resultantes do parto.

Pedro da Costa Lima tenta então vincular o artista toscano na cidade adoptiva, dando-lhe em 1731 a grande encomenda da Igreja dos clérigos, a qual lhe deu trabalho para mais de 30 anos garantindo-lhe a imortalidade.

Nasoni no mesmo ano da morte da sua esposa, volta a casar desta vez com Antónia Mascaranhas Malafaia de 24 anos, natural de St. Eulália de Lamelas no concelho de Santo Tirso. O casamento realizou-se na capela Nossa Senhora de Vandoma no dia 3 de Setembro.

Os Fidalgos da Casa da Vandoma apreciavam bastante o artista, transferindo-lhe a casa; até a altura morava na Rua chã foi então que os fidalgos transferiram-no para as casas antigas perto da Capela da Nossa Senhora de Vandoma, onde viveu com a sua segunda esposa até se instalarem mais tarde nos Paços episcopais. Os Paços Episcopais foi outra das obras de Nasoni, desenhada em 1734.

Deste casamento nasceram 5 filhos; Margarida (1731), António (1732), Gerónimo, que recebeu o nome do protectorado parto (1733), Francisco (1734) e finalmente Ana (1735).

Nasoni continuava a receber trabalhos principalmente de pintura e escultura. Mais tarde devido ao seu talento tomou conta de um edifício total desenhando a sua construção, estátuas para fachadas e jardins e obras em talha para o seu interior. Mas Nasoni não se deixou ficar por aqui e começou a actuar também no campo da ourivesaria, especialidade tradicional dos artistas do Porto. Uma das suas obras neste campo é por exemplo os desenhos do altar de prata da Sé. Nasoni tinha o mesmo conceito do artista universal que motivara a renascença na Itália, tornou-se uma espécie de Miguel Ângelo para o Porto, que não tardou em lhe conceder o respectivo reconhecimento.

Os seus fracassos de construção, devido a pouca experiência em matéria de alicerces e engenharia foram-lhe perdoados, e tinha sempre a possibilidade de mandar repetir a mão-de-obra de pedreiro e carpinteiro caso estes não seguissem à risca o seu projecto.

O deão, protector de Nasoni, referiu-o noutras terras do norte português elogiando as suas obras tanto que em 1734 recebe um convite do cabido da Sé de Lamego para dirigir uma renovação no interior da catedral daquele bispado comparável em extensão e riqueza com a que levava a cabo no Porto. Durante os anos seguintes "espalhou" as suas pinturas pela zona de Lamego, Cumeeira em 1739, em Tarouca e no convento de Ferreirim. Crê-se que Nasoni tenha trabalhado como arquitecto na maior construção particular daquela época, na respectiva área, designada por solar de Morgado de Mateus.

Não se sabe em que ano ao certo Nasoni voltou para o Porto. Apareceu junto com Miguel Francisco da Silva numa reunião de arquitectos, pedreiros e carpinteiros, em Setembro de 1740 afim de tomar as providências para remediar o estado perigoso da Igreja da Santa Casa da Misericórdia.

Em 1743 o arquitecto é admitido como irmão secular da irmandade dos clérigos de graça por ter sido mestre das obras daquele templo durante muito tempo.

Em 1746 pensa-se que ele tenha desenhado a nova Igreja de Nossa Senhora da Esperança de graça por ter sido mestre das obras daquele templo durante bastante tempo, neste mesmo ano Nasoni figura como autor de nova fachada de S. Salvador, de Matosinhos, uma das suas obras mais importantes, para o qual contribui com estátuas para o frontispício e grades de talha interior. Dois anos mais tarde desenhou a talha da Capela-mor de St.º Ildefonso do Porto e começou a reconstrução de St.ª Marinha de Vila Nova de Gaia. Em 1746 pensa-se ter desenhado a nova Igreja de Nossa Senhora da Esperança e parte do recheio de talha.

Iniciou também uma acocração documentada com a Venerobel Ordem III de S. Francisco do Porto (1745-50) da qual resultou uma corrente de obras de arquitectura, pintura e obras de entalho de mão de Nasoni.

Entretanto e a partir de 1749 empreendeu as novas obras da Santa Casa da Misericórdia do Porto, na qual entra como irmão, executando para e imponente fechada os únicos desenhos que subscrevem de qualquer das suas obras portuguesas.

Os anos seguintes testemunharam o apogeu de carreira de Nasoni incluindo Portugal em 1750 dá o risco do palácio do deão no lugar do freixo, em Campanhã estas obras ocuparam Nasoni durante vários anos criando uma residência de campo que com os jardins e tectos pintados representava uma das mais ricas expressões de Villa Italiana jamais efectuadas fora daquele país.

Durante certo tempo teve também para elaborar uma nova cadeia de relação do Porto, iniciara uma série de estudos para Igreja de S. Tiago do Bugalho em St.º Tirso e desenhara as grades de Bronze da Capela-Mor da Sé do Porto, executados em 1754. Em 1753 principiaram as novas obras da Igreja dos Clérigos a qual se tornou no seu monumento mais celebre devido à grandiosa torre.

A pequena Igreja da Nossa Senhora do Terço realizada em 1755-59 cuja a fachada profundamente original é uma obra prima de realismo decorativo na arquitectura foi feita por Nasoni. Em 1759 iniciou-se a construção da casa de Bonjoia, em Campanha atribuída como o templo do terço, com rica evidência estilística, a Nasoni que, embora nunca enteiramente acabasse, representa uma versão mais modesta do Palácio do Freixo.

Pensa-se que Bonjoia foi a última casa edificada por Nasoni.

Podíamos dividir a estadia de Nasoni em 3 grupos: o 1º constituído por 3 casas edificadas na cidade, o 2º grupo consta de uma orla de casas nas margens do rio Leça (Maia e Matosinhos) normalmente para ricos eclesiásticos e ao último grupo pertencem os 2 casos extraordinários de Ramalde e da Prelada onde Nasoni lançou no Porto o gosto neogótico quando este apenas nascera na Inglaterra.

A Torre dos Clérigos foi acabada em 1763, quando Nicolau Nasoni tinha 72 anos de idade, pois pensa-se coincidir com o fim da sua carreira.

Não há a certeza sobre o motivo que levou Nasoni a não produzir nenhuma obra durante os seus últimos 10 anos, terá sido vitima de algum cerco que o obrigou a retirar-se da vida activíssimo que tinha mantido desde a sua chegada de Malta, ou seria uma série de mágoas pessoais que o desanimaram: a morte da 2ª mulher e a desgraça do seu filho mais novo, Francisco Mascarenhas Nasoni, e, sem duvida a morte do deão Gerónimo de Távora e Noronha, em 25 de Novembro de 1754 foi para Nasoni um golpe severíssimo, que lhe tirou o principal apoio que possuía.

Outro dos problemas de difícil explicação é a aparente pobreza em que morreu o grande pintor e arquitecto, falecendo já com 82 anos, em 30 de Agosto de 1773, sendo sepultado na Igreja dos Clérigos assistido pela humanidade como pobre, mas isto não implica que ele era pobre pois na altura as pessoas que eram sepultados pela confraria eram consideradas pobres.

Sabemos que devido a sua grande actividade artística Nasoni adquiriu bastante dinheiro isto permitiu-lhe emprestar avultadas quantias de dinheiro.

Em 27 de Setembro de 1737 Nasoni nomeou o deão Gerónimo de Távora o seu procurador geral o qual passou a ser seu filho mais velho, José após a morte de Gerónimo de Távora.

Se Nasoni realmente morreu na pobreza poderia ter sido talvez devido a algum dos seus negócios ter falhado no fim da sua carreira quando já não tinha a protecção do Deão Gerónimo de Távora.

Como já sabemos Nasoni foi sepultado na Igreja dos Clérigos desenhada por este, mas porém num lugar desconhecido sem túmulo marcado.

Não há porém retrato que sobreviva deste grande artista italiano que tanto fez pelo Porto e este não se designou ainda a dar o seu nome tanto a uma praça, rua ou travessa. Nem se quer nenhum dos seus contemporâneos dedicou algum elogio ao maior dos arquitectos portuenses do séc. XVIII. Por fim a sua numerosa descendência desaparece depois do 1º quartel do séc. IX, sendo um destino totalmente indigno e injusto para a sua memória.

Em conta partida as suas obras ainda se conservam pelo menos em Portugal comparando com outras obras de outros arquitectos do mais conhecidos dos quais se desmancharam alguns trabalhos principais sendo, assim e relativamente fácil de estudar a sua obra pois todos os elementos essenciais ainda estão ao alcance do investigador.

Nascida em 1531 com o apelido polémico na sua simplicidade de «congrega del Rozzi», a Academia especializada em representações teatrais, desempenhava também, no período que nos interessa, a tarefa de organizadora de festas e celebridades públicos. No caso das entradas solenes, isso implicava que o projecto geral de distribuição das estruturas que vinham depois realizadas particularmente, por exemplo pobres entradas (Bairros), quer a realização de estruturas efémeras especificar na área da sua competência. A prestação de custos e despesas para o ingresso do novo Arcebispo Alexandre Zondadari (11 de Agosto de 1715) dá-nos uma ideia do grau de colaboração requerido por um trabalho do género, que implicava mais empenho sob a coordenação do projectista, deste Nicolau Nasoni, que se encarregasse do projecto quer da decoração pictórica do Arco. Foi um grande sucesso para Nicolau.

A irmandade dos Clérigos Pobres, instituída em meados dos séc. XVII, estabeleceu-se na Igreja do Colégio dos Órfãos, ainda com o nome de irmandade de S.Filipe de Néry. Os respectivos estatutos foram aprovados em 20 de Setembro de 1655. Ficou neste local por 8 anos, passados os quais se transferiu, primeiro para a igreja dos Padres Congregados e mais tarde para a igreja da Misericórdia em 26 de Maio de 1688.

 

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